Travessia Alpha Crucis: a mais difícil do Brasil?

Atualizado: Jan 29


Travessia Alpha Crucis e seus cumes (Fonte: AventureBox)


A Travessia Alpha Crucis abrange os principais blocos montanhosos do Paraná: Serra do Ibitiraquire, Serra da Farinha Seca e a Serra do Marumbi. Trata-se de uma travessia de nível bastante difícil, pois localiza-se na Serra do Mar paranaense (mais calor e umidade), densa vegetação (quiçaça: mata rasteira cheia de espinhos, caraguatás, muito bambu e cipós) e fauna rica típica, com muitos insetos, aracnídeos entre muitos outros que os nossos olhos não vêem.


Densa vegetação típica da Serra do Mar (Fonte: Alta Montanha)


Foto aérea de André Bonacin, editada por Thiago Korb, com a identificação de locais do principal trecho paranaense. (fonte jws.com.br)


Em 1997, o montanhista Oséas Gonçalves Araújo (Black) perdeu a vida em um cânion na região, ao tentar, sozinho, fazer o reconhecimento do trecho em um final de semana chuvoso.

Os pioneiros a realizarem a travessia Alpha Crucis foram Elcio Douglas Ferreira e Jurandir Constantino, uma travessia entre montanhas bastante difícil, com 44 cumes e 100 km de trilhas na Serra do Mar Paranaense, juntando as travessias Serra do Ibitiraquire, Farinha Seca e Alpha Ômega ou Serra do Marumbi. Hoje, atualizada para Alpha Crucis Express, acrescentou-se mais 4 cumes e 5 km de trilha ao original. O próprio pioneiro Elcio define como a “travessia mais insana e desumana”, a mais difícil feita por ele.


(Fonte: Alta Montanha)


Elcio Douglas Ferreira (Fonte: Alta Montanha)


Serras e seus cumes


Serra do Ibitiraquire (27): Guaricana, Ferreiro, Ferraria, Taipabuçu, Caratuva, Pico Paraná, Tupipiá, União, Ibitirati, Camelos, Itapiroca, Taquaripoca, Cerro Verde, Tucum, Camapuã, Camacuã, Pico Luar, Siri, Baixo Siri, Ciririca, Colina Verde, Agudo da Lontra, Agudo da Cotia, Agudo da Cuíca, Cotoxós, Arapongas, Tangará.


Pico do Paraná, ponto culminante do Estado (Fonte: Wikipedia)


Serra do Marumbi (22): Rochedinho, Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre, Gigante, Olimpo, Boa Vista, Leão, Ângelo, Bandeirantes, Pelado, Espinhento, Alvorada 2, Alvorada 3, Alvorada 4, Mesa, Sem Nome, Carvalho, Ferradura, Torre Amarela, Torre do Vigia, Morro do Canal.


Conjunto Marumbi (Fonte: Wikipedia)


Serra da Farinha Seca (12): Mãe Catira, Morro do Sete, Polegar, Casfrei, Esporão do Vita, Tapapuí, Farinha Seca, Morro dos Macacos, Mojuel, Jurapê Açu, Jurapê Mirim, Morro da Balança.


Morro do Sete, um dos cumes da Serra da Farinha Seca (Fonte: pedrohauck.net)


Em 2017, a travessia foi feita por Leandro Cechinel, Lucas Feltrin e Cleverson Souza em 12 dias, com trajeto de 115 km e 55 cumes.


Trio, Leandro Cechinel, Cleverson Souza e Lucas Feltrin, que realizou a Travessia Alpha Crucis em 2017 (Fonte: riosnamontanha.com)


Em 2018 Paulo Taqueda e Israel Silva, que na primeira tentativa não conseguiram participar, realizaram a travessia.


Israel Silva e Paulo Taqueda (Fonte: Alta Montanha)


E em julho deste mesmo ano, outro grupo realizou a travessia, incluindo a primeira mulher.


Em 2019 mais um grupo realizou a travessia em 10 dias, percorrendo 61 cumes.


Interessante observar que em todas as travessias Alpha Crucis realizadas, os grupos escondiam alimentos em pontos estratégicos para reabastecimento no caminho.


Serra da Farinha Seca (Fonte: AventureBox)


Entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2021 eu e o Oscar realizamos, juntamente com o Clube de Aventura Atma, com o grande Adilson, Roberto, Mara ávila, Cláudia Bento, Vanderson, Helder, Helton e Gabriel a sensacional, mais insana, molhada e vara mato Travessia da Farinha Seca, trecho mais difícil da Travessia Alpha Crucis, segundo relatos. Este trecho da Travessia Alpha Crucis tem 16 km e 12 cumes. Trecho da travessia Alpha Crucis de maior dificuldade, pois se trata de um trecho muito pouco frequentado.


Final da Travessia Farinha Seca, grupo ATMA: todos "mortos", mas felizes pela conquista


Um dos muitos trechos de descida entre águas

Vara mato em meio à vegetação espinhosa e cortante

Resultado, mesmo com manga comprida e luvas


Hora da parada era a mais esperada hahaha

Um dos trechos em que atravessamos o rio

Grande Adilson, Oscar e eu aguardando o desmonte da equipe acampamento 2

Marinha feliz por sentar e poder comer! Hahaha! Adorei essa foto!

Eu e a Claudinha, assinando o livro do cume Pequeno Polegar


Início da Travessia (mal sabíamos o que iríamos enfrentar hahaha)


Confesso que em muitos momentos pensei: o que estou fazendo aqui?", principalmente por fazer algum tempo que não fazia uma travessia; não estava treinada fisicamente e os 14 kg que levei nas costas no final já pareciam mais que 100 kg, principalmente devido à chuva, mas, a vontade de atingir o objetivo final que era completar o circuito era maior do que tudo! Enfim, cheguei "quebrada, moída, cheia de hematomas, cortes e picadas de insetos" depois de me arrastar (literalmente), por barrancos de lama, pirambeiras, muitos escorregões (mais de 10 por dia), agachar e pular troncos de árvores, bambus e cipós, atravessar 2 rios, varar aquele mato todo pesado e cortante em todos os três dias, mas muito feliz por terminar essa "insana e desumana" (palavras do Elcio) travessia. Imaginando como seria a Alpha Crucis em sua totalidade! Respeito e admiro demais todos que completaram esta travessia, e agora entendo por quê poucos atingiram este feito! Parabéns guerreiros!


Gostou e quer encarar o desafio? Se prepare fisicamente e emocionalmente, porque esta travessia vai exigir de você todo e o máximo de seus esforços! E o mais importante: se for realizá-la, tenha muito conhecimento sobre navegação, estude bem sobre o local e suas características, ou faça a travessia com pessoas muito experientes!


Excelente Travessia e bom perrengue!!

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