Selfie Perigosa: uma foto realmente vale a sua vida? Veja aqui imagens de arrepiar

Atualizado: 29 de jan.


(Alexander Remnev em um de seus registros em Dubai.

Fonte: Revista Época, Experiências Digitais)


Nada mais que uma foto tirada pela própria pessoa, a selfie tornou-se um comportamento bastante popular em todo o mundo, um reflexo da necessidade de aprovação e aceitação social, conexão com o próximo, atenção e status.


Com o advento da internet e as redes sociais, as pessoas podem, através da postagem de fotos e vídeos, realizar estas conexões, gerando a falsa sensação ou confirmando a questão de que quanto mais pessoas conseguimos atingir, mais atenção nós temos.


(Fonte: O Povo)


Se as imagens hoje têm um alto poder de influência e captação da atenção, imagine então o impacto de uma foto em locais arriscados...


(Mustang Wanted em uma de suas acrobacias. Fonte: Wikipedia)


Tirar aquela selfie invejável na beira de um abismo, no topo de um edifício ou cachoeira certamente vai fazer com que o número de curtidas (ou "likes") no Instagram ou Facebook das pessoas aumente consideravelmente, fazendo com que se sintam muito mais importantes e aceitas.


Mas, até quando esse risco vale a pena?



(Foto: BBC, @scottallert)


Dados de acidentes com selfie no mundo


Estudo feito pela Fundação IO, uma organização científica dedicada ao estudo do controle de enfermidades infecciosas no mundo, zoonoses emergentes, medicina tropical e do viajante, tem dados surpreendentes: entre janeiro de 2008 e julho de 2021, pelo menos 379 pessoas morreram por causa de uma selfie (dentre elas, 141 turistas e 238 pessoas da população local).


(Fonte: Hypeness)


Mas, este estudo abrange somente parte do problema: seus dados, que estão reunidos na ferramenta epidemiológica chamada Heimdllr-Project, rastreia as informações sobre selfie somente nos 6 idiomas mais utilizados no mundo: inglês, espanhol, italiano, português, francês e alemão. Portanto, demais notícias e fatos sobre o assunto em outras línguas não fazem parte dos números do estudo, sendo o número de casos e acidentes muito maior.


Glen Canion, Estados Unidos (Foto: Reprodução, Globo)


Dentre as principais causas da morte por selfie, em primeiro lugar estão as quedas em cataratas e cachoeiras, precipícios e telhados. Demais casos envolvem meios de transporte, afogamentos, armas de fogo, eletrocussões e tentativas de fotos com animais selvagens. Todos resultados de uma confiança excessiva e certeza de que nada mais acontecerá do que uma perfeita selfie!


(Foto: BBC, @ameya.murudkar)


A principal faixa etária envolvida com as mortes por selfies são adolescentes até 19 anos, seguidos pela faixa etária dos 20 aos 29 anos.


Mas existem muitas exceções, como ocorreu em dezembro de 2020: a turista Rosy Loomba, de 38 anos, perdeu a vida ao se arriscar para tentar tirar uma foto em um penhasco de 80m no Parque Nacional Grampians, em Victoria, na Austrália. Para tentar fazer a foto, ela ultrapassou as barreiras de segurança e acabou por tropeçar e cair de uma altura equivalente a um prédio de 27 andares.



Mirante no Parque Nacional Grampians, onde uma turista perdeu a vida


Outro caso, ocorrido em julho de 2021, envolve a influencer Sofia Cheung, famosa por suas fotos de viagens de aventura: ao tentar tirar uma selfie, sofreu uma queda da cachoeira Tsing Dai, de aproximadamente 5 metros, no parque natural Ha Pak Lai, na cidade chinesa Yuen Long.


Sofia Cheung, influencer de 32 anos, cuja morte foi provocada por uma tentativa de selfie em cachoeira


O estudo chamado “Me, myself and my kilfie" ("eu, eu mesmo e meu “kilfie”, trocadilho com a palavra “kill”, matar em inglês e “selfie”) feito pelo estudante Hemank Lamba e uma equipe na Universidade americana Carnegie Mellon em Pittsburgh, nos Estados Unidos, explora a selfie para entender a psicologia dos autores e entender seus efeitos nas plataformas de mídias sociais.


Selfie no Forte Ratangad, na Índia


Um aplicativo está sendo desenvolvido na Índia, com finalidade de se evitar perigos com as selfies. Ainda em fase de testes, o aplicativo deverá identificar situações de risco quando alguém está tirando foto e alertá-lo. Isto feito com uma combinação de serviços de localização e reconhecimento de partes de imagem que vão sugerir o local inseguro.


Devido aos problemas recorrentes com acidentes envolvendo selfie na Índia, por exemplo, para combater a prática, a cidade de Mumbai criou as chamadas “no-selfies-zones” (áreas proibidas para tirar selfies).


Certamente existem muito mais casos de mortes e acidentes envolvendo selfies no mundo inteiro, que não fazem parte dos registros oficiais de pesquisas.


Alguns casos de acidentes decorrentes de selfie no Brasil


No Brasil existem registros de muitos acidentes em decorrência de selfies.


Segundo o estudo da Fundação IO, o Brasil aparece em 5° lugar no ranking de países com mais mortes em tentativas de selfie no mundo: com a Praia do Costão da Ponta do Vigia, na Penha, em Santa Catarina. A professora Soliane Luiza Costa, 28 anos, foi uma das vítimas fatais deste local, em janeiro de 2021. A prefeitura de Penha emitiu nota de repúdio contra o estudo.


Em 2017, em um intervalo de tempo de apenas 2 dias, dois jovens morreram em decorrência de selfies: um jovem de 15 anos foi atingido por um trem na Estrada de Ferro Vitória-Minas em Governador Valadares enquanto fazia selfies nos trilhos.


O outro acidente ocorreu na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo: um jovem de 19 anos, fazia uma selfie com o corpo para fora em um carro em movimento e sua cabeça bateu em uma árvore.


Em abril de 2020, uma jovem de 23 anos caiu do topo de uma cachoeira em Belo Vale, região central de Minas Geral, onde praticava escalada com os amigos. Ao tentar registrar uma selfie próximo a uma queda, escorregou e caiu na água.


Em dezembro de 2020, Guilherme Chiapetti, de 22 anos, morreu após cair da cachoeira da Onça, no Paraná, com mais de 10m de altura na tentativa de tirar uma selfie.



Esta foto do paulista Herba Marcelo, apaixonado por natureza, esportes e registro de imagens, é uma selfie bastante arriscada, mas gerou destaque em uma reportagem de sua região


Alguns famosos por seus incríveis registros


Kirril Oreshkin em uma de suas selfies. (Fonte: El País)


Kirril Oreshkin foi um russo que possui pouco mais de 17.900 seguidores no Instagram. Costumava fazer fotos em cima de edifícios. Era praticante do rooftopping, um esporte pendurar sua própria vida em todos os tipos de bordas em paredes e muros. Morreu em 2015, depois de cair de um edifício.


Wu Yongning (Fonte: R7)


O chinês Wu Yongning, de 26 anos foi conhecido como “homem-aranha” por suas fotos arriscadas e sem utilização de equipamentos de proteção. Tinha mais de um milhão de seguidores em sua rede social. Wu aceitou o desafio de subir o maior prédio de Changsha por um prêmio de quase R$ 300 mil, mas infelizmente não completou o feito: faleceu em 2017 escorregando ao tentar completar este desafio.


(Alexander Remnev em uma torre russa de 350 m. Fonte: Globo.)


Alexander Remnev, russo fotógrafo, viajante e aventureiro fez seus registros em Hong Kong, Paris, Barcelona, Moscou e Dubai. Segue um vídeo que fez em sua viagem à Dubai.

James Kingston, nascido em Southampton, Inglaterra, é bastante popular, principalmente no YouTube. Viajou o mundo para o freerunning. Alguns de seus vídeos mais populares, incluindo "POV Crane Climb in Southampton, UK", "Chimney climb in Marktoberdorf, Germany" e "POV Rooftop Parkour in Southampton" ganharam mais de 1 milhão de visualizações cada. Segue um de seus vídeos:



Nadia Aly, ex-funcionária da Microsoft e Google, é uma fotógrafa profissional e especialista em mergulho, e ganhou fama com suas fotos no mergulho com águas-vivas nas águas do lago Jellyfish em Palau, no Oceano Pacífico.

Nadia Aly mergulhando com águas-vivas (Fonte: Daily Mail)


Lee Thompson no Cristo Redentor-RJ (Fonte: Diário Gaúcho)


Lee Thompson, fundador de uma companhia de viagens britânica, com autorização especial da secretaria de turismo do Rio de Janeiro, escalou o Cristo Redentor pelas escadas internas de manutenção e registrou imagens incríveis, porém de alto risco, pois não utilizou nenhum tipo de equipamento de segurança.


Twiter @georgekourounis


George Kourounis é um fotógrafo aventureiro, explorador e apresentador de televisão. Em janeiro de 2005 fez imagens sobre lavas da cratera do ativo Vulcão Erta Ale, no deserto da Etiópia.



Angela Nikolau e Ivan Beerkus. (Fonte: JungleUP)


Angela Nikolau é filha de um dos trapezistas mais famosos em Moscou e possui mais de 750 mil seguidores no Instagram. Ela e seu namorado têm inúmeras fotos em guindastes e altos edifícios.


(Angela Nikolau. Fonte: Publicitários Criativos)


ChristopherHorsley, Geoff Mackley, Nik Halik e Kevin Keator são alpinistas e especialistas em acessar vulcões ativos, como o Marum Ambrym, em Vanuatu, na Oceania, para fazer o registro de imagens incríveis.


Alpinista Nik Haliks em sua selfie ao lado de Benbow Valcano

(Mustang Wanted em uma de suas selfies perigosas em Dubai. Fonte: Canaltech)


Pavlo Gennadiyovich Ushivets, ucraniano mais conhecido como Mustang Wanted é um alpinista urbano famoso pelas acrobacias de alta altitude que realiza com quase nenhum tipo de equipamento de segurança.


Pavel Smirnov e Ozcan Ipar em um guindaste em Istambul


Os alpinistas turcos Pavel Smirnov e Ozcan Ipar subiram um guindaste da ponte Yavuz Sultan Selin, com 350 m de altura, em Istambul, na Turquia.


Tirar ou não tirar selfie? Eis a questão


A mania de se tirar selfies perigosas atrai em discussão de qual seria realmente o sentido para tal.


Claro que a principal motivação é atrair a atenção do público em geral e obter a maior quantidade de visualizações e curtidas em suas redes sociais.


O mergulhador Aaron Gekoskicom tubarões recife de coral Aliwal Shoal, na África do Sul (Fonte: Hypeness)


Sabemos que a busca pelo reconhecimento e autoafirmação é de fato, algo cada vez mais recorrente, principalmente pela necessidade contínua de atenção, muitas vezes ocasionada por falta de segurança e por um mundo cada vez mais individualizado, devido às tecnologias.


Por outro lado, existem pessoas que possuem insaciável apetite pelo risco, ou simplesmente querem fugir da vida comum. E percebem que, mostrar o risco em uma foto os associa à possibilidade de fama através das mídias sociais, como na maioria dos exemplos apresentados neste post.


(Fonte: BBC.com)


A questão principal é a seguinte: até que ponto uma pessoa pode chegar ao perigo extremo, a ponto de arriscar a própria vida?


As pessoas, por uma selfie, acabam perdendo o limite do tolerável. E o intolerável os levam aos acidentes e até mesmo a morte.


Uma petição online, feita pela fotógrafa e escritora norte-americana Elisabeth Brentano, pede que o Facebook e o Instagram passem a responsabilizar usuários que postarem fotos de atividades ilegais. Além das selfies perigosas atraírem o público para o local das fotos publicadas, elas contribuem para que mais pessoas pratiquem atos ilegais, colocando em risco vidas e prejudicando também o meio ambiente.


(Fonte: Preto no Branco)


As pessoas precisam ser orientadas sobre os limites do risco e suas consequências.


Faça sua selfie incrível, mas nunca deixe de prezar algo fundamental: SUA SEGURANÇA e SUA VIDA!


Uma foto sensacional perde a validade se você não estiver aqui para publicá-la e usufruí-la, certo?


(Fonte: Vice)


Ame-se em primeiro lugar e não se esqueça das pessoas que te amam também!


Sua vida vale mais do que tudo.





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